Economia
Chronoworking: modelo de trabalho segue ritmo biológico
Modelo de trabalho que respeita o relógio biológico ganha espaço no Brasil e melhora produtividade, saúde mental e engajamento dos colaboradores.
O chronoworking é um modelo de trabalho baseado no ritmo biológico do funcionário, permitindo que ele atue nos horários em que se sente mais produtivo. Criado pela jornalista britânica Ellen C. Scott, o conceito tem ganhado espaço no Brasil. Empresas como Everymind e Homedock adotaram a prática, que ainda não possui regulamentação específica na legislação trabalhista. A proposta traz impactos positivos em produtividade, qualidade de vida e retenção de talentos.
Tabela de Conteúdos
- O que é o chronoworking?
- Como funciona na prática
- O que diz a legislação trabalhista
- Ritmo biológico e cronotipos
- 5 vantagens do chronoworking
- Desafios e projeções futuras
O termo “chronoworking” vem da união de “chrono” (tempo) e “working” (trabalhar), e se refere à prática de trabalhar em sincronia com o ritmo natural do corpo. A ideia é que, ao respeitar os chamados cronotipos, o profissional rende mais e sofre menos com estresse, fadiga e baixa produtividade. Essa abordagem reconhece que cada indivíduo tem um relógio biológico único, influenciado por fatores genéticos, ambientais e sociais.
Como funciona na prática
Empresas que adotam o chronoworking oferecem flexibilidade de horários e, muitas vezes, modelos remotos ou híbridos. Na Everymind, 90% dos 500 colaboradores escolhem seus próprios horários. Já na Homedock, a flexibilização é aplicada a funções que não exigem atendimento fixo ao público ou operações logísticas. Além disso, líderes e equipes alinham os horários para manter a sinergia e a eficiência nos processos internos.
Outro ponto importante é o uso de tecnologias de comunicação assíncrona, como plataformas de mensagens e gerenciamento de tarefas, que facilitam o trabalho em horários distintos sem comprometer a produtividade.

Laerte Nogueira trabalhando na parte da tarde diretamente de um camping no interior de São Paulo. — Foto: Arquivo Pessoal
O que diz a legislação trabalhista
Não existe legislação específica sobre o chronoworking. Contudo, a CLT garante regras gerais: jornada de 8h, limite de 44h semanais, adicional noturno e intervalo mínimo de 11h entre jornadas. Para adoção segura, o ideal é formalizar os horários no contrato de trabalho.
Empresas que adotam o modelo devem estabelecer regras claras e registrar acordos individuais com os colaboradores para evitar conflitos e garantir segurança jurídica. Especialistas em direito trabalhista recomendam que o benefício conste no contrato e que haja transparência sobre a possibilidade de mudanças, respeitando o artigo 468 da CLT, que exige concordância mútua para alterações contratuais.
Ritmo biológico e cronotipos
O ritmo biológico humano é regulado pelo ciclo circadiano. Os cronotipos indicam quando cada pessoa é mais ativa: matutinos (manhã), vespertinos (tarde/noite) e intermediários. Identificar o cronotipo é essencial para aplicar corretamente o chronoworking. Ferramentas de autoconhecimento e testes de perfil cronobiológico podem auxiliar empresas e profissionais nesse diagnóstico.
Pessoas que trabalham em horários desalinhados com seu cronotipo têm maior propensão a problemas de sono, queda de desempenho, aumento de estresse e riscos à saúde. Já aquelas que atuam de forma alinhada com seu ritmo biológico relatam maior foco, energia e satisfação com o trabalho.
5 vantagens do chronoworking
- Aumento de produtividade: profissionais trabalham em seus picos naturais de desempenho.
- Redução de afastamentos: menor impacto em saúde mental e menos burnout.
- Maior engajamento: funcionários sentem-se valorizados e com mais autonomia.
- Conciliação vida pessoal e profissional: melhora a qualidade de vida.
- Atração e retenção de talentos: empresas inovadoras são mais atrativas no mercado.
O chronoworking se destaca também como estratégia de employer branding, fortalecendo a imagem da empresa como inovadora e preocupada com o bem-estar dos colaboradores.
Desafios e projeções futuras
A aplicação do chronoworking depende do setor. Fábricas, hospitais e bancos enfrentam dificuldades de adesão. Especialistas defendem a atualização da legislação e avaliam que, no futuro, o modelo pode se tornar regra em áreas criativas e tecnológicas. À medida que novas gerações entram no mercado com expectativas mais alinhadas à flexibilidade, o chronoworking tende a se consolidar como uma prática comum.
Para isso, será necessário construir uma cultura organizacional baseada na confiança, no foco em resultados e na capacidade de adaptação às novas demandas do trabalho contemporâneo.
Links externos sugeridos:
Links internos sugeridos:
- Veja também: Como o trabalho remoto está transformando empresas no Brasil
- Leia mais: Tendências em bem-estar corporativo para 2025
Negócios
CFM fortalece integração com os Conselhos Regionais e avança na construção de uma comunicação nacional mais estratégica
Brasília (DF) – O Conselho Federal de Medicina (CFM) promoveu, nos dias 30 de junho e 1º de julho, o X Encontro de Comunicação dos Conselhos de Medicina, reunindo profissionais de comunicação dos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) de todo o país. Realizado na sede do CFM, em Brasília, o evento consolidou-se como um importante espaço para integração institucional, troca de experiências e construção de estratégias voltadas ao fortalecimento da comunicação do Sistema CFM/CRMs.
Durante os dois dias de programação, representantes dos Conselhos Regionais apresentaram projetos de destaque, compartilharam boas práticas e discutiram soluções inovadoras para tornar a comunicação institucional cada vez mais eficiente, transparente e conectada às necessidades da classe médica e da sociedade.
A coordenação do encontro esteve sob a responsabilidade do Dr. Estevam Rivello Alves, 2º Secretário e Diretor de Comunicação do Conselho Federal de Medicina, cuja condução foi amplamente reconhecida pelos participantes.
“A excelente organização do evento refletiu o compromisso do Conselho Federal de Medicina com a integração e o fortalecimento da comunicação institucional. Sob a coordenação do Dr. Estevam Rivello Alves, o encontro proporcionou um ambiente de alto nível para a troca de experiências, a apresentação de projetos inovadores e a construção de estratégias conjuntas que fortalecerão uma comunicação cada vez mais eficiente e integrada em todo o Sistema CFM/CRMs.”
Projetos que fortalecem a comunicação e a medicina
Entre os cases apresentados esteve o Projeto Juventude Segura, desenvolvido pelo Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG) e apresentado pela Dra. Janaína. A iniciativa demonstra como a comunicação pode atuar como ferramenta estratégica de educação, prevenção e promoção da saúde, aproximando o Conselho da população e ampliando seu papel social.
Outro destaque foi o CRM-PB ON, projeto do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), apresentado por Gibran Melo. A iniciativa utiliza plataformas digitais para oferecer educação médica continuada, atualização científica e conteúdos técnicos aos profissionais da medicina, reforçando o compromisso da instituição com a qualificação permanente da categoria.
Além das apresentações, o encontro abordou temas como comunicação digital, relacionamento com a imprensa, produção de conteúdo institucional, inovação, inteligência artificial aplicada à comunicação e fortalecimento da identidade institucional dos Conselhos de Medicina.
Integração nacional fortalece o Sistema CFM/CRMs
Mais do que discutir ferramentas e tendências, o encontro reafirmou a importância da atuação colaborativa entre o Conselho Federal e os Conselhos Regionais. A integração das equipes permite compartilhar experiências bem-sucedidas, otimizar processos e construir estratégias conjuntas capazes de ampliar o alcance das ações desenvolvidas em todo o país.
A proposta do CFM é consolidar uma comunicação cada vez mais alinhada entre as regionais, respeitando as particularidades de cada estado, mas mantendo princípios comuns de transparência, credibilidade, ética e valorização da medicina.
Ao final do evento, ficou evidente que investir na comunicação institucional representa um passo estratégico para aproximar os Conselhos dos médicos e da sociedade, fortalecendo o papel das instituições na defesa da profissão e na promoção da saúde pública.
Representação da Paraíba
O Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) participou ativamente do encontro com uma delegação composta por dirigentes e profissionais da área de comunicação, reforçando o compromisso da instituição com a inovação e o fortalecimento da comunicação institucional.
Estão na foto:
- Dr. Bruno Leandro – Presidente do CRM-PB;
- Márcio Chaves – Head de Inovação da Eduskills;
- Sarah Ramalho – Equipe de Comunicação do CRM-PB;
- Gibran Melo – Equipe de Comunicação do CRM-PB;
- Márcia Kelly – Equipe do CRM-PB;
- Wagner Leandro – CEO da Eduskills;
- Dr. Claudio Oreste – Diretor de Comunicação e Tecnologia da Informação do CRM-PB;
- Gilson Neves – Especialista em comunicação institucional.
BYD
BYD desacelera vendas, mas pode superar Tesla em 2026
A montadora chinesa BYD experimenta uma significativa desaceleração nas vendas em 2025 devido à intensificação da concorrência no mercado doméstico. Apesar disso, a empresa ainda promete superar a Tesla, consolidando-se como a maior fabricante de veículos elétricos do mundo.
Queda nas Vendas em Dezembro
Na última quinta-feira, a BYD divulgou que suas vendas em dezembro totalizaram 420.398 veículos. Este número representa uma queda de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior, marcando o quarto mês consecutivo de recuo nas vendas. No total, a montadora vendeu 4,6 milhões de unidades em 2025, o que representa um crescimento de 7,7%. Esse aumento, no entanto, é consideravelmente inferior ao impressionante salto de 41% registrado em 2024.
Comparação com a Tesla
Para contextualizar, a Tesla reportou vendas de 422.850 unidades no quarto trimestre, o que levou suas vendas anuais a 1,64 milhão de veículos. Esses valores foram confirmados através de um consenso de mercado compilado pela própria companhia.
Concorrência Aumenta no Mercado de Veículos Elétricos
No segmento de entrada, a BYD está enfrentando uma concorrência crescente de fabricantes como Geely e Leapmotor. A Geely, por exemplo, entregou 3,02 milhões de unidades em 2025, um avanço notável de 38,5%. A Leapmotor, que antes era um player menor no setor, superou a meta de 500 mil unidades e agora aumentou seu objetivo para mais de 600 mil unidades, com a ambição de alcançar a marca de 1 milhão em 2026.
Desempenho dos Concorrentes
Além de Geely e Leapmotor, outras empresas também se destacaram em dezembro. A NIO e a Li Auto reportaram vendas de 48.135 e 44.246 veículos, respectivamente. Joel Ying, analista da Nomura, afirma que o bom desempenho dessas montadoras reflete um esforço final para atender pedidos em atraso que se acumularam ao longo do ano.
Expectativas para o Futuro do Setor
A concorrência acirrada não é o único desafio que a BYD enfrenta. Analistas projetam que 2026 trará ainda mais pressão sobre as vendas, especialmente após a recente decisão do governo chinês de cortar subsídios para veículos de menor preço. Essa medida tem como objetivo incentivar a inovação tecnológica e melhorar a qualidade geral do setor.
Projeções do Deutsche Bank
O Deutsche Bank prevê uma queda de 5% nas vendas de automóveis de passeio no varejo chinês em 2026, o que indica um cenário desafiador para todas as montadoras. Joel Ying destaca que, “com esse cenário, o ambiente deverá ser desafiador no início de 2026”. No entanto, ele mantém a esperança de que a BYD conseguiria recuperar o fôlego tanto no mercado interno quanto no externo.
Estratégia da BYD para 2026
De acordo com informações que devem ser divulgadas após o Ano-Novo Lunar, a BYD planeja anunciar sua estratégia para 2026, incluindo atualizações de modelos. Essa comunicação será crucial para que a empresa se reposicione em um mercado em constante evolução.
A Importância da Inovação
A inovação contínua será um fator crítico para a BYD nos próximos anos. Com um ambiente competitivo se intensificando, a empresa não pode apenas se recostar em suas conquistas passadas, mas deve investir em novas tecnologias e melhorar sua oferta de produtos.
Conclusão
Em suma, embora a BYD enfrente uma desaceleração em seu crescimento de vendas em 2025 e enfrente desafios significativos devido à concorrência intensa e mudanças nas políticas governamentais, sua posição como um dos principais fabricantes de veículos elétricos do mundo permanece intacta. A capacidade da montadora de se adaptar às novas condições do mercado e introduzir inovações tecnológicas será essencial para sua sustentabilidade no futuro.
O foco em estratégias que elevem a experiência do consumidor e otimizem a eficiência operacional será crucial para manter a liderança frente à concorrência. O monitoramento das tendências do setor e a capacidade de inovação serão determinantes para o sucesso da BYD nos próximos anos, consolidando ainda mais seu papel no mercado global de veículos elétricos.
Economia
LDO 2026 estabelece prazo para pagamento de emendas parlamentares
A recente sanção da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 traz uma novidade significativa: pela primeira vez, a legislação define um prazo para o pagamento das emendas parlamentares de execução obrigatória. A nova norma fixa até o fim do primeiro semestre de 2026 para que o Poder Executivo efetue o pagamento de 65% do total dessas emendas. Este movimento é visto como uma conquista histórica pelos parlamentares, que há anos reivindicavam essa mudança.
O que é a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)?
A LDO é uma peça essencial da legislação orçamentária, estabelecendo as prioridades e as metas do governo para o orçamento do ano seguinte. Além disso, ela define regras importantes para a elaboração, organização e execução do orçamento contido na Lei Orçamentária Anual (LOA).
O Acordo entre o Congresso e o Governo
O percentual de 65% para o cumprimento das emendas abrange transferências especiais, conhecidas como emendas Pix, além de recursos destinados a fundos de saúde e assistência social. Este acordo foi elaborado de forma conjunta entre o Congresso e o Poder Executivo, sinalizando uma nova fase de colaboração entre as instituições.
Vetos e Implicações
Apesar de avanços significativos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou 26 trechos do projeto original da LDO. Dentre os itens vetados, destacam-se:
Extensão do Fundo Partidário
Um dos trechos barrados previa a ampliação do Fundo Partidário, que é destinado ao financiamento público dos partidos políticos. O governo argumentou que o aumento do fundo poderia comprometer o orçamento destinado às despesas da Justiça Eleitoral.
Pagamento de Emendas Anteriores
Outro veto importante foi ao artigo que permitia o pagamento de emendas não quitadas entre 2019 e 2023. A justificativa do governo é que essa medida poderia afetar a eficiência e a qualidade da despesa pública.
Impedimentos Técnicos
Ainda nos vetos, foram excluídos trechos que permitiriam o pagamento de emendas a projetos sem licenciamento ambiental ou aprovação de projetos de engenharia. O governo argumentou que a identificação de impedimentos técnicos é fundamental para garantir a gestão responsável das finanças públicas.
Prioridades orçamentárias
Em 2026, a União trabalhará com um orçamento previsto de aproximadamente R$ 6,5 trilhões. Deste total, pelo menos R$ 1,82 trilhão será destinado ao pagamento da dívida pública. Além disso, a meta de resultado primário para o governo foi estabelecida em R$ 34,26 bilhões, o que representa cerca de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB).
Limitações de Gastos
A nova LDO também traz restrições importantes conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal. Entre as proibições, estão a criação de novas despesas obrigatórias e a ampliação do gasto tributário. Essas medidas visam garantir a saúde financeira do governo, especialmente em um ano eleitoral.
Conclusão
A sanção da LDO de 2026, ao estabelecer um prazo para o pagamento de emendas parlamentares, é um passo decisivo em direção a uma maior previsibilidade e planejamento nas finanças públicas. Entretanto, os vetos impostos pelo presidente Lula refletem a necessidade de equilibrar prioridades orçamentárias com a eficiência na aplicação dos recursos públicos. Para o cidadão, essas mudanças podem significar maior transparência e responsabilidade na gestão do orçamento, aspectos fundamentais para a consolidação da democracia e o fortalecimento das instituições públicas no Brasil.
Diante desse cenário, é crucial que tanto o governo quanto o Congresso mantenham um diálogo aberto e produtivo para assegurar que as necessidades da população sejam atendidas, respeitando ao mesmo tempo as normas fiscais e orçamentárias vigentes. A participação ativa da sociedade civil e o acompanhamento detalhado das execuções orçamentárias se fazem cada vez mais necessários para que a legislação cumpra seu papel social.
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